Se eu te deixasse
me formar,
segurarias o grito
quando voltasse
a trapaça?
Cantar o suor! - na pedra,
menta e camomila -,
a oração de hoje.
A abadia sem torres nem murros
(intransponível)
crepitando o fogo
morto de tempo.
§§_____________
sexta-feira, 2 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
a estátua no meio de meu quarto –
parada –
a cortina não fecha mais
a estátua sob o sol, a estátua à lua
todos os dias eu lhe deixo um prato
de figos secos
e um pouco de iogurte
no quarto há um pequeno santuário:
a estátua matou toda a sua família
e o fez com as partes de seus corpos
ao menos, com as partes que não engoliu
(eu ouvi dizer)
porque
sua mãe lhe trocava os lençóis do colchão
e porque seu irmão arejava o quarto
quando o ar ficava espesso demais
os narizes estão à base
do santuário
e os adornos laterais,
as falanges da mão
a estátua sob o sol
amarga
mas a noite vem
e a estátua amarga
parada –
a cortina não fecha mais
a estátua sob o sol, a estátua à lua
todos os dias eu lhe deixo um prato
de figos secos
e um pouco de iogurte
no quarto há um pequeno santuário:
a estátua matou toda a sua família
e o fez com as partes de seus corpos
ao menos, com as partes que não engoliu
(eu ouvi dizer)
porque
sua mãe lhe trocava os lençóis do colchão
e porque seu irmão arejava o quarto
quando o ar ficava espesso demais
os narizes estão à base
do santuário
e os adornos laterais,
as falanges da mão
a estátua sob o sol
amarga
mas a noite vem
e a estátua amarga
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
rédea
as folhas murcham lamentos ao vento
e as frentes marcham em tropa ao sol
nessa noite de cortinas cerradas
te sento e faço tranças em teus cabelos
sem segredos, há espuma no ar
e não respiro mais que a maciez
que já me sufocara, pelas tranças
que me estrangulavam e que agora
delicadamente preparo, embora
sem ver que há fogo em minhas mãos em prece
e que queimo a mim e a ti - mas ainda
tu sorris como uma noiva em fumaça;
embotado o tempo e o meu sentir,
te faço tranças em teus cabelos
e as frentes marcham em tropa ao sol
nessa noite de cortinas cerradas
te sento e faço tranças em teus cabelos
sem segredos, há espuma no ar
e não respiro mais que a maciez
que já me sufocara, pelas tranças
que me estrangulavam e que agora
delicadamente preparo, embora
sem ver que há fogo em minhas mãos em prece
e que queimo a mim e a ti - mas ainda
tu sorris como uma noiva em fumaça;
embotado o tempo e o meu sentir,
te faço tranças em teus cabelos
sábado, 1 de outubro de 2011
areia
além do mato
além da chuva
além do rastro
além do fado
longe das mãos e
perto o suor
longe dos lábios mas
rouco paladar
sobre o asfalto
as penas secam
se deita de lado
meu canário morto
é antes da garganta que o mato
é todo seu peito meu retrato
além da chuva
além do rastro
além do fado
longe das mãos e
perto o suor
longe dos lábios mas
rouco paladar
sobre o asfalto
as penas secam
se deita de lado
meu canário morto
é antes da garganta que o mato
é todo seu peito meu retrato
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
o espelho no espelho
se o tempo desaparecesse da memória:
se a memória do tempo
desaparecesse da memória:
se o tempo da memória
desaparecesse do tempo:
se a memória desaparecesse do tempo:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparece se a memória
desaparece:
cesse memória:
cesse tempo:
se a memória do tempo
desaparecesse da memória:
se o tempo da memória
desaparecesse do tempo:
se a memória desaparecesse do tempo:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparecesse da memória:
se o tempo desaparece se a memória
desaparece:
cesse memória:
cesse tempo:
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
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