segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

a estátua no meio de meu quarto –
      parada –
a cortina não fecha mais
a estátua sob o sol, a estátua à lua
todos os dias eu lhe deixo um prato
de figos secos
e um pouco de iogurte

no quarto há um pequeno  santuário:
a estátua matou toda a sua família
e o fez com as partes de seus corpos
ao menos, com as partes que não engoliu
(eu ouvi dizer)

porque
sua mãe lhe trocava os lençóis do colchão
e porque seu irmão  arejava o quarto
quando o ar ficava espesso demais

os narizes estão à base
do santuário
e os adornos laterais,
as falanges da mão

a estátua sob o sol
amarga
mas a noite vem
e a estátua amarga

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