Ah, pelas veias que me querem
na cabeça uma couve
um repolho
faço de todo meu corpo um legume,
a desfraldar bandeiras mais sonoras
que o discurso de tantos cílios que me foram
(ai, adiados)
Um destroço, seja,
que a saudade que me cora
é a saudade
como um galho a me furar o olho
apagar de cigarros a machadadas
(e medíocres caminhos:
em grandes vergonhas)
Ao incendiário
que após quando só brasas
-
o fogo que consumiu
(resta a falta que reina) -
ah, mas quando estava tudo por destruir
que chances, que doces gargalhadas
encobertas
sexta-feira, 15 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
5:36
Orelha da terra, espasmo metódicoHuáscar, que pressão te fez trair?
desgraça as costas e deixa atrás
Batida de glote...
fechada e abre-se num momento que nunca houve, aberta
num dia de sempre
Da garganta que dança aos braços abertos, dedos
que olham sem uma palavra
broca broca botca broca
Ah, um engasgo parafimótico a ar rebentar
CANDELABRO
para onde vim
de onde vou
diante estou
desse ponto
com jeito
esse jeito
eleito
assim feito
de final
Como quando a gente, cansado,
deita-se de costas na madeira do chão e as bochechas pesam
e escorrem às orelhas
e o queixo côncavo, uma caverna de
todas as vergonhas, enfurna-se
e no pulso, sob os tetos do céu
ou sob o céu do teto que mais vemos,
essa inapetência que foge à palavra sobe-nos
assim, melindrosa, lasciva, clandestina...
Mas não me possui: não porque não deixo,
mas porque não tem como:
Sou ela, tanto também ela me é que,
sozinhos,
dividimos o silêncio de agonia - outro, o silêncio
que se lança de dentro da gente
independe dessa mesquinharia, dessa cama, da almofada,
é sagrado e não se verga porque é curva só e diferente -
O nosso silêncio que não veio porque desejado,
talvez desgraçado mas aceito por pusilanimidade,
aceito, embora dentro, onde falta o som igual,
o ruído de uma garganta engasgada com o Dia que lhe é pesado
esganiça por mais alma, alguma alma
e num descaramento, finjo perguntá-la
por o que mesmo havia trocado a mim mesmo.
(24/08/2010)
deita-se de costas na madeira do chão e as bochechas pesam
e escorrem às orelhas
e o queixo côncavo, uma caverna de
todas as vergonhas, enfurna-se
e no pulso, sob os tetos do céu
ou sob o céu do teto que mais vemos,
essa inapetência que foge à palavra sobe-nos
assim, melindrosa, lasciva, clandestina...
Mas não me possui: não porque não deixo,
mas porque não tem como:
Sou ela, tanto também ela me é que,
sozinhos,
dividimos o silêncio de agonia - outro, o silêncio
que se lança de dentro da gente
independe dessa mesquinharia, dessa cama, da almofada,
é sagrado e não se verga porque é curva só e diferente -
O nosso silêncio que não veio porque desejado,
talvez desgraçado mas aceito por pusilanimidade,
aceito, embora dentro, onde falta o som igual,
o ruído de uma garganta engasgada com o Dia que lhe é pesado
esganiça por mais alma, alguma alma
e num descaramento, finjo perguntá-la
por o que mesmo havia trocado a mim mesmo.
(24/08/2010)
torta sombra estendeu-se
no assoalho dessa casa
como um animal empertigado
passou por entre o tapete e fez as vezes
com o vaso que rachara
no meu despudor,
menos para me assossegar do que me arrepender depois
fechei as cortinas
(22/05/2010)
no assoalho dessa casa
como um animal empertigado
passou por entre o tapete e fez as vezes
com o vaso que rachara
no meu despudor,
menos para me assossegar do que me arrepender depois
fechei as cortinas
(22/05/2010)
Pictúria
Gente de vida vivida através de janela empoeirada,
erght,
acre, intragável!
Vida de futebol na rádio no lusco-fusco de um dia de calor.
Vida de música pop americana de fundo nos vapores de uma casa desdita.
De toalha de mesa de como nada mudou.
De coração seco engasgado sem saber porquê.
O que se salva é o brócolis no vapor.
(23/04/2010)
erght,
acre, intragável!
Vida de futebol na rádio no lusco-fusco de um dia de calor.
Vida de música pop americana de fundo nos vapores de uma casa desdita.
De toalha de mesa de como nada mudou.
De coração seco engasgado sem saber porquê.
O que se salva é o brócolis no vapor.
(23/04/2010)
Outra coisa que seja
toda
Meu corpo não é mais de fumaça,
oras!
Que era que ser, se não fosse assim?
Eu acho que essa distinção
entre eu
E entre todos vocês,
e entre tudo que não é vocês
Enterra fundo, anoitece, asfixia
essas centelhas de amor natimorto
Pô.
Não fosse assim, que era que ser?
Qualquer coisa
outra.
Esse mar congelado,
sem martelo sem picareta,
sem falta sem compromisso,
que divide e extingue,
sem pedir perdão.
Tantas palavras que seriam!
E seriam!
E nunca sairão desse claustro
desse futuro do pretérito que não foi!
(23/04/2010)
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